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A cólica renal é
uma dor tipo paroxístico (intermitente) que se caracteriza
por um aumento progressivo de intensidade seguido de alivio
para depois se agravar novamente. Estas cólicas, poderão
variar entre um ligeiro desconforto no flanco e uma dor
violenta com irradiação do flanco até á região inguinal
(virilha) necessitando por vezes de internamento hospitalar
afim de se proceder a uma terapêutica (medicação) eficaz
para controlo da dor. Durante as crises não existe uma
posição antiálgica (que diminua a dor) e os doentes, pelo
contrario, ficam em grande agitação, não encontrando alivio
com qualquer posicionamento.
A obstrução do
baçinete e ureteres (alto aparelho urinário), seja ela
intrínseca (dentro do alto aparelho urinário) ou extrínseca
(fora do alto aparelho urinário), provocando impedimento da
progressão da urina, provoca uma dilatação da via urinária
alta que, sendo intermitente provoca a dor cólica que tem
assim a característica de ser paroxística. Quando a
obstrução é completa a dor quase desaparece ficando o doente
com a impressão de falsas melhoras, o que poderá conduzir a
uma situação de maior gravidade. As causas intrínsecas mais
frequentes são cálculos, coágulos, necrose papilar,
estenoses (apertos) de causa inflamatória ou parasitária, eg.
tuberculose ou bilharziose, ou doença da junção
pielo-ureteral e mais raramente tumores uroteliais
obstrutivos, as causas extrínsecas pouco frequentes poderão
ser compressões por tumores de órgãos vizinhos, lesões
traumáticas ou fibrose idiopática retroperitoneal.
A dor é do lado
da obstrução mas o foco de maior intensidade pode depender
da sua localização. A cólica frequentemente inicia-se no
flanco mas também pode ser sentida no abdómen, região
inguinal ou nos genitais. Pode associar-se a náuseas e
vómitos e aumento da frequência das micções ou imperiosidade
de urinar. Frequentemente pode estar associado hematúria
(sangue na urina) que pode ser visível a vista ou só ao
microscópio.
Os rins estão
situados nos flancos ligeiramente abaixo da 11ª costela e
tem como função a filtração e eliminação de metabolítos do
nosso corpo. Alguns desses metabolítos poderão em
determinadas circunstâncias cristalizar e conglomerar-se
constituindo-se assim em cálculos.
Um cálculo renal
pode permanecer silenciosamente num rim até ser descoberto
incidentalmente. Por vezes, como já se disse o cálculo pode
obstruir a passagem de urina e provocar dor.
O diagnóstico é
feito pela historia clínica e observação do doente, mas
apenas com exames de imagem poderemos confirmar o
diagnóstico e determinar a localização da obstrução e se de
cálculo se tratar, a sua dimensão. Um Rx simples e ecógrafia
do aparelho urinário são exames de primeira linha podendo no
entanto ser necessário uma TAC para melhor esclarecimento.
Terapêutica da Cólica Renal
Dado a
intensidade da dor, os doentes, normalmente, recorrem a
Serviços de Urgência, onde após diagnóstico será
administrada terapêutica adequada de analgesía e profilaxia
das complicações.
Muitos cálculos
são suficientemente pequenos para serem eliminados
naturalmente ao fim de algum tempo, mas outros poderão, pela
sua dimensão, pela sua localização ou por acidentes
anatómicos poderão encravar e demorar mais tempo ou poderão
não ser eliminados. O urologista deverá apreciar a
possibilidade de saída espontânea mas, se a situação for de
previsão negativa, se houver febre ou o sofrimento do doente
se prolongar, fica obrigado a uma actuação cirúrgica.
A terapêutica
cirúrgica poderá ser não invasiva, Litotricia Extracorporea
por Onda de Choque (LEOC), mini-invasiva (endoscópica) ou
cruenta (cirurgia aberta).
Nos cálculos de
ácido úrico poder-se-á tentar a sua dissolução com
alcalinisantes da urina.
Todos os
cálculos extraídos ou eliminados deverão ser analisados afim
de se instituir dieta e terapêutica profilática adequada.
Publicado em Outubro 2010
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