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Para que a
experiência sexual masculina no seu todo seja satisfatória é
fundamental que um conjunto de factores e fenómenos estejam
presentes no momento próprio. Assim, a existência de desejo
sexual/ líbido, a erecção, a ejaculação e o orgasmo são os
pontos sensíveis desta sequência de sensações, pelo que a
disfunção de qualquer deles se fará sentir ao nível da
esfera sexual.
O desejo
sexual, ou líbido, corresponde à vontade que um
tem de encetar actividade sexual, baseada em fantasias ou na
presença de verdadeiros estímulos eróticos. Depende portanto
de estruturas e regiões cerebrais onde a percepção e
integração dos impulsos é cruzada com a informação existente
na memória, sendo que as experiências passadas e a
aprendizagem efectuada têm grande relevância na prosecussão
da sequência de sensações sexuais. Também, estas estruturas
sexuais estão dependentes da presença de factores hormonais
como os androgénios (Testosterona) ou da ausência de outros
como os estrogénios e a Prolactina.
O Desejo
Sexual Hipoactivo corresponde à deficiência ou ausência,
com carácter permanente ou recorrente, de fantasias sexuais
ou vontade para se empenhar em actividades sexuais. Nas suas
causas estão doenças neurológicas centrais (traumatismos
cerebrais, Acidentes Vasculares Cerebrais, Epilepsia, doença
de Parkinson, etc.), doenças endócrinas (alterações
testiculares ou da hipófise), doenças crónicas debilitantes
(insuficiência renal crónica, insuficiência cardíaca,
doenças oncológicas, etc.), tóxicos ambientais, uso crónico
de drogas e alcoól, e alguns medicamentos (antidepressivos,
ansiolíticos, etc.).
O Desejo
Sexual Hiperactivo corresponde ao contrário do
anteriormente descrito. Na sua origem estão também doenças
neurológicas centrais, cirurgia encefálica e alguns
medicamentos (agonistas dopaminérgicos, bloqueadores dos
receptores alfa 1, etc.).
A ejaculação
corresponde à emissão de esperma para o exterior das
vias seminais e através do pénis, podendo esta existir sem
erecção e sem orgasmo. Para que ocorra é necessária a
integridade de vários processos neurofisiológicos
integrados. As causas da sua alteração podem ser congénitas
ou adquiridas (neurológicas, cirúrgicas, farmacológicas,
psicogénicas). Subdividem-se as disfunções ejaculatórias nas
de ejaculado ausente ou de baixo volume (anejaculação,
obstrucção das vias ejaculatórias e ejaculação retrógrada) e
nas de ejaculado presente (ejaculação prematura, retardade e
dolorosa).
A
anejaculação resulta habitualmente de lesões com
afectação ao nível do controle do Sistema Nervoso Simpático
na fase de emissão (Esclerose múltipla, Mielite transversa,
Diabetes mellitus, traumatismos vertebro-medulares,
alteração dos níveis de testosterona, cirurgia pélvica e
retroperitoneal). O tratamento é farmacológico com agonistas
dos receptores alfa. A obstrução das vias ejaculatórias
pode decorrer de doenças congénitas (vestígios dos
canais de Muller, fibrose quística) ou adquiridas (litíase,
infecção, cirurgia). A ejaculação retrógrada tem
etiologia e tratamento semelhantes à anejaculação. A sua
incidência está agravada em casos de cirurgia do colo
vesical e próstata.
A ejaculação
prematura, que apresenta prevalência elevada na
população masculina (mais de 30%), está definida como a
sempre presente ou recorrente ejaculação com o mínimo de
estimulação sexual, antes ou pouco tempo depois da
penetração e sem que o homem o deseje. A isto associa-se um
tempo de relação intra vaginal de cerca de 1-2 minutos. Para
o tratamento desta situação têm-se utilizado técnicas
comportamentais (desconcentração durante a relação,
alteração de posição, parar a relação, masturbação antes da
relação, etc.) com taxas de sucesso de cerca de 40%. O
tratamento farmacológico aproveita o efeito secundário de
aumento do tempo de latência ejaculatório que alguns
fármacos apresentam, nomeadamente os inibidores selectivos
da recaptação da serotonina. Recentemente surgiu no mercado
uma alternativa medicamentosa de utilização específica neste
distúrbio. O tratamento cirúrgico reserva-se para a
desensibilização do pénis através da neurotomia selectiva
dos nervos dorsais do pénis com resultados satisfatórios.
A ejaculação
retardada corresponde à dificuldade ou incapacidade para
ejacular dentro da vagina durante a relação sexual, sendo no
entanto possível por outras práticas. Aparentemente estão
causas psicogénicas na base deste problema, no entanto
algumas causas orgânicas estão identificadas, nomeadamente
algumas doenças neurológicas e a iatrogenia medicamentosa (ansioliticos,
antidepressivos, etc.). Também o consumo de alcoól e de
drogas recreativas podem estar na origem deste distúrbio. O
tratamento é medicamentoso (agonistas dos receptores alfa)
ou por electrovibração.
A ejaculação
dolorosa apresenta-se como uma sensação dolorosa que
surge durante ou após a ejaculação e que pode persistir
durante dias. Parece ser devida a espasmos musculares
perineais e das vias seminais. O uso de alguns
antidepressivos pode estar associado a este fenómeno.
Embora o
orgasmo seja um fenómeno sensorial simultâneo da
ejaculação, a sua existência ou inexistência não dependem
desta última. Esta sensação de prazer e de libertação de
tensão é um momento psico-fisiológico complexo, que
ultrapassa muito a reacção genital e para o qual não existe
uma experiência tipo, pois a sua variabilidade interpessoal
é a norma. Como as alterações da qualidade do orgasmo são
difíceis de avaliar e valorizar, falamos de anorgasmia,
ou seja de inexistência de orgasmo para nos referirmos à
disfunção orgásmica. Como causas desta temos lesões dos
sistemas nervosos Periférico e Central (medular ou
cerebral), o uso de alguns antidepressivos e de alguns
alfa-boqueantes, cirurgias pélvicas, radioterapia da
próstata, etc.
Publicado em Janeiro 2010
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