|
Por definição
infecção urinária ( IU ) recorrente é aquela que ocorre com
frequência ≥ 3/ano ou com frequência ≥ 2 episódios nos
últimos 6 meses.
Consideram-se 2
tipos:
- IU
RECIDIVANTE - Precoce , ocorre nas primeiras 2 semanas
após o final da antibioterapia , sendo o agente etiológico o
mesmo da infecção inicial. Habitualmente é resultado de
insuficiência do tratamento inical ( antibioterapia
inadequada, resistência antibiótica, incumprimento da
terapia prescrita ) ou por alteração subjacente do aparelho
urinário.
- REINFECÇÃO
- Tardia, ocorre após 2 semanas do final do tratamento
da IU inicial, num doente que se encontrava curado, sendo o
agente etiológico diferente da IU anterior ( geralmente
pertencente à flora do tubo digestivo ou da vagina, e menos
frequentemente proveniente do parceiro sexual ).
Geralmente o
agente etiológico das IU recorrentes é a E. Coli.. Todavia
na IU recorrente o tratamento antibiótico deve ter por base
a urocultura pré-tratamento, devendo ser comprovada a cura
com urocultura pós antibioterapia.
Estão descritos
diversos factores de risco
• Genéticos- mulheres
não secretoras de antigénios sanguineos nos fluidos
corporais ( 20% população feminina ); maior aderência
epitelial do urotélio aos uropatogéneos; história de IU
materna
•
Ambientais/Comportamentais, como a frequência das relações
sexuais, uso de espermicidas, idade na primeira IU ( risco
aumentado sobretudo se abaixo 15 anos de idade )
•
Estruturais/ Funcionais, como o prolapso vesical,
Incontinência Urinária, residuo pós miccional aumentado
IU rcorrentes
são muito frequentes, ocorrendo em 25% das mulheres em
qualquer período da sua vida, e têm um grande impacto na sua
qualidade de vida , bem como no sistema nacional de saúde,
em virtude dos elevados custos que acarretam : absentismo
laboral, consultas médicas, exames clínicos e medicação. De
modo a minorar o risco desta situação foram propostas
diversas medidas farmacológicas e não farmacológicas.
MEDIDAS NÃO
FARMACOLÓGICAS
•
Hidratação
•
Evitar banhos de imersão
•
Micções regulares
•
Micção pós-coito
•
Higiene
•
Vestuário adequado
•
Regularização do trânsito intestinal
•
Evitar uso de espermicidas
•
Acidificação da urina
•
Sumo de arando (Mirtilo)
•
Identificação e resolução de factores de risco corrigíveis
MEDIDAS
FARMACOLÓGICAS
•
Imunoprofilaxia – vacinas
• oral Urovaxom®
1 comp/dia (3M )- redução 30% das reinfecções
• IM
Solco-Urovac® 1 injec 15/15 dias ( 3 injec )- redução 60%
das reinfecções
•
Aplicação vaginal de Probióticos – Lactobacillos
•
Estrogéneos intravaginal/oral nas mulheres pós menopausa
•
Antibioterapia profilática (< 8 x o risco de infecção) ao
deitar/ pós coito
I.
TMP-SMX ( 40-200 mg/dia ) até 5 anos
II.
Nitrofurantoína ( 50-100mg/dia )/ Quinolonas ( 200/250
mg/dia) – 1 cp à noite – 6 meses
III.
Fosfomicina – 3g 10/10 dias – 6 meses
IV.
Cefalosporina primeira geração ( ex. Cefaclor )- gravidez
V.
TMP-SMX/Nitrofurantoína - toma única pós-coito, se
associação IU-relação sexual
Todavia, mesmo
os esquemas de profilaxia antibiótica não alteram a história
natural das IU recorrentes , uma vez que a sua suspensão
leva a que 60% das doentes tenham nova infecção dentro de 3
-4 meses.
Onde posso saber mais sobre o tema?
www.sosbexiga.com
Site onde poderá encontrar informação relativa ao
problema das infecções urinárias.
Publicado em Abril 2010
|