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Calcula-se que a
probabilidade de um casal dito normal alcançar uma gravidez
é de cerca de 20% por mês, com uma probabilidade cumulativa
de 90% ao fim de um ano.
A infertilidade é assim definida como a incapacidade de um
casal em obter uma gravidez após um ano de relações sexuais
desprotegidas.
Calcula-se que a
infertilidade atinge actualmente cerca de 15% dos casais e
que este número sofrerá um aumento progressivo, fruto da
idade crescente em que se decide ter o primeiro filho.
Existe actualmente um desfasamento entre o pico da
capacidade reprodutora, que ronda os 24 anos, quer no homem,
quer na mulher, e a idade em que se decide procriar. Este
desfasamento decorre do hábito, cada vez mais frequente na
nossa sociedade, de se protelar a primeira gravidez até que
estejam reunidas determinadas condições, sejam no campo
económico, sejam no campo académico ou profissional.
Este progressivo
envelhecimento dos casais tem repercussões quer na taxa de
gravidez natural, quer nos resultados das técnicas de
reprodução medicamente assistida. Isto levou a que
actualmente, em casais de idade mais avançada (tipicamente
quando a mulher tem mais de 35 anos) se recomende iniciar o
estudo da infertilidade de maneira precoce, em vez de
esperar pelos 12 meses inerentes à própria definição.
O factor
masculino é responsável por cerca de 20% dos casos de
infertilidade e contribui em cerca de 20 a 40% de casos
adicionais
Podemos deste
modo considerar, de grosso modo, que o factor masculino está
presente em cerca de 50 a 60% dos casais inférteis.
Avaliação
inicial do homem infértil
A avaliação
inicia-se pela história clínica, que deverá documentar a
duração da infertilidade, antecedentes pessoais relevantes
(por exemplo antecedentes de quimioterapia ou de cirurgias
testiculares, entre muitos outros) e uma breve história
sobre os hábitos sexuais do casal, uso de contraceptivos e
avaliação da função eréctil e ejaculatória. Devem ser
igualmente pesquisados comportamentos nocivos, como o
tabagismo, o alcoolismo, o consumo de drogas de abuso ou de
certos medicamentos (ex. cimetidina, sulfazalasina, entre
outros). A frequência de saunas ou de banhos quentes está
tradicionalmente associada à diminuição da capacidade fértil
(embora a associação não seja universalmente aceite).
Por fim, nos
antecedentes familiares são importantes a existência de
outros casos de infertilidade e de doenças presentes em
várias gerações.
O passo seguinte
é o exame físico, em que são avaliadas as proporções
corporais e os sinais sexuais secundários, como a pilosidade
e sua distribuição, a distribuição da gordura corporal e a
presença de ginecomastia (aumento mamário). O exame físico
centra-se por fim nos genitais externos, onde são avaliados
o pénis e os testículos e são pesquisadas anomalias como o
hipospádias (anomalia na localização do meato uretral),
ausência de ductos deferentes ou presença de varicocelos
(dilatação varicosa das veias testiculares).
Exames
auxiliares de diagnóstico
O primeiro exame
é o espermograma. Consiste na avaliação física, química e
microscópica do esperma e dos seus constituintes. Um homem
com exame físico e espermograma normais dispensa estudos
andrológicos adicionais.
Caso esteja
alterado deve ser repetido e associado a outros estudos,
como a avaliação hormonal, ecografias e testes genéticos, em
função do quadro sugerido pela história e exame físico.
Em determinadas
situações pode ser necessária a realização duma biopsia
testicular, exame habitualmente realizado em regime de
ambulatório com anestesia local.
Tratamento
e orientação
Por fim, após
todo este estudo o médico determina um diagnóstico, em
função do qual vai delinear um tratamento.
Este poderá
passar pela suspensão de determinado medicamento, pela
mudança de hábitos, pela reposição hormonal, pela resolução
duma obstrução testicular ou pela correcção cirúrgica dum
varicocelo, entre outros.
Em até 40% dos
homens que apresentam alterações dos parâmetros espermáticos
não existe qualquer causa subjacente detectável.
Nestes casos opta-se pela terapêutica médica empírica,
seguida, em caso de falência, pelo recurso a técnicas de
reprodução medicamente assistida (inseminação intrauterina
ou fertilização in vitro).
Casos mais
graves (por vezes associados a alterações genéticas ou a
falência testicular grave) são habitualmente encaminhados
para técnicas de reprodução medicamente assistida. Em muitos
destes homens a presença de espermatozóides no ejaculado é
de tal maneira escassa que é necessária a sua extracção
cirúrgica, através duma biopsia testicular.
Por fim, em
determinados casos a alteração espermática é de tal maneira
grave que o homem é considerado estéril, não havendo
qualquer hipótese de procriação, mesmo que medicamente
assistida. Nestes casos, o único recurso é a fertilização da
mulher com esperma de dador anónimo ou a adopção.
Publicado em Abril 2010
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