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As infecções do
aparelho urinário constituem uma importante questão na área
da Saúde não só pela sua elevada frequência e impacto na
qualidade de vida mas também pelo aspecto económico
decorrente.
A prostatite é a
doença da Próstata mais frequente em homens com idade
inferior a 50 anos. De referir que aproximadamente 50% dos
homens desenvolverão sintomatologia de prostatite em algum
período da sua vida.
Atendendo à
frequência e complexidade desta patologia, e na tentativa de
uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais eficaz, foi
recomendada pelo National Institute of Diabetes and
Digestive and Kidney Diseases do National Institute
of Health a classificação actualmente mais utilizada que
diferencia prostatite bacteriana aguda e crónica, síndrome
de dor pélvica crónica e prostatite inflamatória
assintomática (histológica).
O que é?
A classificação
de prostatite bacteriana assenta em critérios
clínicos e na evidência de infecção e inflamação da
Próstata. De acordo com a duração dos sintomas pode ser
classificada como aguda ou crónica (sintomatologia
persistente mais de 3 meses). O quadro clínico predominante
caracteriza-se por dor (lombar, suprapúbica, perineal,
escrotal, peniana) e sintomas urinários (frequência elevada,
diminuição da força e calibre do jacto, ardor na micção,
retenção urinária entre outros). A prostatite bacteriana
crónica é a causa mais frequente da infecção urinária
recorrente no homem.
Deve ser
individualizada do síndrome de dor pélvica crónica o
qual é definido como dor pélvica recorrente ou persistente
associado a sintomatologia sugestiva de disfunção (sintomas
relacionados com mau funcionamento) do tracto urinário
baixo, sexual, gastrointestinal ou ginecológico, sem
infecção ou outra patologia óbvia documentada.
Como se diagnostica?
O diagnóstico
assenta numa história clínica cuidada e em meios
complementares de diagnóstico criteriosamente seleccionados
nos quais se enquadram análises e culturas de urina, sangue
e secreção prostática, diário miccional, fluxometria e
determinação do resíduo pós-miccional. Saliente-se que um
agente etiológico só é detectado pelos métodos de rotina em
5-10% dos casos.
Como se trata?
O tratamento
deverá ser individualizado a cada caso. De referir que a
prostatite bacteriana aguda pode constituir uma situação de
extrema gravidade que necessite uma terapêutica agressiva em
meio hospitalar.
O uso de
antibióticos representa papel fulcral e está preconizado na
prostatite bacteriana aguda, recomendado na prostatite
bacteriana crónica e pode ser alternativa no síndrome de dor
pélvica crónica. O uso concomitante de analgésicos,
antipiréticos, alfabloqueantes, relaxantes musculares ou
outras substâncias pode ser recomendado pelo urologista.
A terapêutica
cirúrgica não está rotineiramente preconizada embora possa
ser indicada na drenagem de abcesso prostático ou outras
situações particulares.
Não existem
recomendações específicas para a abordagem terapêutica do
síndrome de dor pélvica crónica. A sua etiologia não está
determinada, pelo que a terapêutica dirigida constitui um
problema. Assim justificam-se múltiplas abordagens
terapêuticas.
A prostatite
inflamatória assintomática, pela ausência de sintomatologia,
não justifica qualquer terapêutica.
A prostatite é
uma patologia complexa em que sintomas urológicos podem
manifestar entidades diferentes, algumas com necessidade de
terapêutica agressiva em meio hospitalar. Desta forma,
perante a suspeita deve ser conduzida de forma criteriosa a
investigação clínica pelo Urologista com vista à melhor
estratégia terapêutica.
Publicado em Janeiro 2010
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