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O que é um transplante renal?
O transplante
renal é um método de substituição da função renal, estando
indicada a sua realização quando existe insuficiência renal,
ou seja quando os rins deixam de realizar de uma forma
adequada as suas normais funções. As doenças que causam
insuficiência renal são variadas, sendo as mais comuns a
diabetes, a hipertensão arterial, malformações, infecções e
inflamações dos rins. Os doentes com um só rim mas que
funcione bem não necessitam de tratamentos para substituir a
função renal. As opções de substituição da função renal são
o transplante renal e a hemodiálise e suas variantes (como
por exemplo a diálise peritoneal).
O transplante de
um rim permite que este desempenhe de uma forma satisfatória
a função antes realizada pelos dois rins do doente.
Quem necessita e quem pode receber um transplante renal?
Só os doentes
com insuficiência renal terminal necessitam ser
transplantados. A proposta para avaliação da possibilidade
de transplantação é geralmente feita pelo médico assistente
(nefrologista) do doente e o estudo realizado em centros
hospitalares especializados, onde é realizado um estudo
aprofundado dos candidatos. O transplante renal pode não ser
o melhor tratamento para alguns doentes insuficientes
renais.
Caso não existam
contra-indicações ao transplante, o doente é colocado numa
lista de espera para transplante e aguardará a sua vez de
ser transplantado.
As
contra-indicações ao transplante podem ser diversa ordem:
infecções, doenças que aumentem muito o risco da cirurgia,
antecedentes de cancro há pouco tempo, patologia
cardiovascular, psiquiátrica ou pulmonar severa. A idade por
si só, não é hoje em dia, um critério de exclusão absoluto,
embora acima dos 70 anos os riscos do transplante aumentem
bastante.
Que tipo de transplantes renais podem ser realizados?
Os órgãos a ser
transplantados - designados por enxertos - têm origem em
dadores, que podem ser cadáveres (indivíduos em morte
cerebral - que apesar de apresentarem uma lesão irreversível
das funções cerebrais apresentam os órgãos em bom estado) ou
dadores vivos (pessoas saudáveis que voluntariamente abdicam
de um rim para ser implantado no doente insuficiente renal).
Para ser
colocado em lista de espera para transplante de dador
cadáver é necessário que o doente esteja em programa regular
de hemodiálise. Caso exista um dador vivo disponível, o
doente pode eventualmente ser transplantado antes de entrar
em diálise.
Quem pode doar um rim?
Em Portugal
podem ser realizados transplantes de dadores cadáver,
dadores vivos aparentados (familiares próximos) e mais
recentemente de dadores vivos não aparentados (conjugues por
exemplo).
Os critérios de
morte cerebral estão perfeitamente definidos e não há casos
descritos no mundo inteiro em que alguém a quem tenha sido
atribuído este diagnóstico tenha alguma vez retomado a
actividade cerebral.
No nosso país
funciona o critério de consentimento presumido para a doação
em morte, assim quem não se tenha inscrito no RENNDA -
Registo Nacional de Não Dadores, é automaticamente
considerado como possível dador após a sua morte.
Os candidatos a
dador vivo devem ser submetidos a uma comissão que avalia se
a doação é efectivamente voluntária e não existe qualquer
tipo de coacção ou contrapartidas menos evidentes. O estudo
a realizar aos dadores vivos é exaustivo e só é aceite para
dador quem seja completamente saudável e não tenha riscos
cirúrgicos elevados. Esta prova extrema de altruísmo que é a
doação em vida nunca deve colocar riscos excessivos ao
dador.
Em Portugal é
proibida a venda de órgãos e outro tipo de intercâmbios
entre pares dador-receptor.
Quais os critérios para selecção dos receptores quando
existe um dador cadáver?
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Os critérios
para a alocação - selecção do par dador-receptor estão
perfeitamente definidos e legislados.
Fazem parte
destes critérios (com ponderações variadas): tempo em
diálise, idade (crianças e jovens têm prioridade),
critérios de histocompatibilidade (semelhança entre os
tecidos do dador e receptor), diferenças de idade entre
dador e receptor. Os critérios de histocompatibilidade
são fundamentais com vista a minimizar a possibilidade
de rejeição e têm um peso decisivo na selecção. (em
anexo a lei que regulamenta esta selecção).
Quando existe um
dador são analisados todos os receptores possíveis e é
seleccionado aquele que reúna o maior número de
critérios. Existem situações de excepção em que
receptores são colocados em posição de urgência – por
exemplo quando o transplante seja o único tratamento
adequado e exista risco de vida. |

Diário da Répública
Nova Lei do Dador |
Qual a situação
em Portugal?
Existem
actualmente no nosso país 8 centros com actividade regular
de transplantação renal:
• Hospitais da
Universidade de Coimbra
• Hospital Geral Santo António - Porto
• Hospital de São João - Porto
• Hospital Santa Maria - Lisboa
• Hospital Curry Cabral - Lisboa
• Hospital Santa Cruz - Lisboa
• Hospital Cruz Vermelha - Lisboa
• Hospital Garcia da Orta - Almada
Só alguns destes
centros realizam transplantes de dador vivo e transplantação
renal em idades pediátricas.
No nosso serviço
- Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos Hospitais
da Universidade de Coimbra - com cerca de 2000 transplantes
realizados nos últimos 30 anos, realizaram-se durante o ano
de 2009 - 177 transplantes renais, sendo um dos centros com
maior actividade a nível europeu.
A nossa
legislação permite que cada doente possa estar inscrito em
duas unidades de transplantação.
Dados fornecidos
pela Sociedade Portuguesa de Transplantação de Órgãos e até
finais de 2008 mostram que tinham sido realizados até aquela
data 8136 transplantes renais em Portugal. No ano de 2008
foram realizados 525 transplantes ( sendo 49 de dador vivo -
9,3%).
O número de doentes que entram anualmente em diálise é
significativamente superior ao número de doentes que são
transplantados. Nem todos os doentes em diálise têm
indicação para ser transplantados mas mesmo assim existe uma
escassez de órgãos para as necessidades, havendo uma
tendência para o aumento do número de doentes em lista de
espera. O tempo médio de permanência em diálise dos doentes
transplantados em 2008 foi de 6,65 anos.
A percentagem de
dadores vivos é, entre nós, muito reduzida (menos de 10%) ao
contrário do que acontece noutros países onde as taxas se
podem aproximar ou ultrapassar os 50%.
As taxas de dadores cadáver são, no entanto, elevadas
(26,7/milhão de habitantes) e situam-nos numa posição de
relevo a nível mundial (terceira posição).
O número de transplantes renais em 2008 colocou-nos em sexto
lugar a nível mundial (48 / milhão de habitantes).
Em que consiste a cirurgia?
Dador - a
colheita do rim de um dador vivo é uma cirurgia em que o rim
é removido em simultâneo ou pouco tempo antes da operação no
receptor. O rim pode ser removido por uma incisão na parede
lateral ou anterior do abdómen, procurando-se que esta seja
o menor e mais estética e indolor possível - em alguns
centros, como por exemplo nos HUC, pode fazer-se uma
cirurgia laparoscópica para a colheita do enxerto.
Receptor
- durante o transplante os rins do receptor são mantidos, a
não ser que exista algum motivo que obrigue a que estes
sejam removidos. O enxerto é posicionado habitualmente na
fossa ilíaca (parte baixa e lateral do abdómen) e ligado á
artéria, veia e bexiga do receptor. No caso específico dos
doentes diabéticos pode haver indicação para um transplante
simultâneo de pâncreas para tratamento da doença de base. A
cirurgia demora, na nossa instituição, duas horas em média.
Após o restabelecimento da irrigação do rim este começa a
produzir urina. O doente fica com uma sonda na bexiga e um
dreno no abdómen durante os primeiros dias após a cirurgia.
Se não houver complicações o doente tem alta cerca de uma
semana após o transplante.
Quais os riscos?
Quais os cuidados após o transplante?
Além dos riscos
inerentes a qualquer cirurgia (anestésicos, hemorragia) o
transplante renal é susceptível de complicações específicas.
O rim pode não funcionar de imediato e ser necessário
diálise durante alguns dias.
O organismo do
receptor vai naturalmente tentar eliminar o órgão estranho e
é por isso necessário medicamentos - chamados
imunossupressores - que evitem esta rejeição. Os fármacos
mais conhecidos e utilizados actualmente deste grupo são:
corticóides, ciclosporina, tacrolimus, sirolimus, everolimus
e micofenolato de mofetil. Estes fármacos são de toma
obrigatória para o resto da vida do enxerto. Mesmo sob esta
medicação podem surgir episódios de rejeição e que podem
exigir uma biópsia do rim (para diagnóstico) e tratamento em
meio hospitalar. Episódios de febre, dor na zona do rim
transplantado e diminuição da quantidade de urina produzida
podem levantar a suspeita de rejeição.
Estes
medicamentos são indispensáveis ao correcto funcionamento do
enxerto, mas têm efeitos secundários variados. Todos eles
tornam o receptor de um transplante mais susceptível a
infecções e a neoplasias malignas. Pode haver algumas
alterações estéticas como aumento do crescimento de pelos na
face, aumento de peso e de volume da face, acne, aumento do
risco de diabetes, intolerância digestiva, elevação da
tensão arterial e osteoporose.
As consultas de
pós-transplante têm uma periodicidade variável mas são
obrigatórias durante o período de funcionamento do enxerto.
A equipa do centro de transplantação fornecerá conselhos
específicos sobre os estilos de vida mais adequados a um
transplantado renal. De uma forma geral a dieta e
comportamentos são menos restritivos após o transplante do
que durante o período de hemodiálise.
Um transplante
renal é um direito mas também um privilégio e é por isso da
responsabilidade do receptor proporcionar ao órgão as
melhores condições para que ele funcione durante o maior
tempo possível com um mínimo de complicações.
Quais os
resultados que pode esperar de um transplante renal?
É consensual que
nos doentes devidamente seleccionados o transplante renal é
o melhor tratamento da insuficiência renal crónica terminal
melhorando a qualidade de vida dos doentes relativamente à
sua permanência em diálise e aumentando a probabilidade de
viverem durante mais anos.
No entanto, a
maior parte dos rins transplantados têm um período de
funcionamento findo o qual entram eles próprios em falência.
Em média um rim transplantado funciona adequadamente cerca
de 15 anos. Após a falência o doente retorna à diálise e
pode eventualmente ser novamente candidato a transplante.
Num elevado número de casos os enxertos funcionam
adequadamente até ao limite de vida dos doentes.
A percentagem de
rins transplantados que funcionam adequadamente é de 89% aos
12 meses, 78% aos 5 anos e 51% aos 15 anos e a percentagem
de doentes transplantados renais que se encontram vivos é de
96,2% aos 12 meses, 91,2% aos 5 anos e 75% aos 15 anos após
o transplante (dados de todos os transplantes realizados em
Portugal até ao final de 2008).
Onde posso saber mais sobre o tema?
Associação
Portuguesa de Insuficientes Renais
www.apir.pt
Sociedade
Portuguesa de Transplantação
www.spt.pt
Centro de
Histocompatibilidade do Sul
www.chsul.pt
Outros Sites
www.transweb.org
www.unos.org
www.kidney.niddk.nih.gov
www.kidney.org
www.abto.org.br
Publicado em Janeiro 2010
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