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Definição
Os testículos
estão localizados no escroto que é uma bolsa situada abaixo
do pénis, e estão suspensos do abdómen pelos cordões
espermáticos. Produzem células reprodutoras
(espermatozóides) e hormonas sexuais masculinas.
Os testículos
são constituídos essencialmente por túbulos seminíferos onde
se desenvolvem os espermatozóides. Os túbulos são revestidos
por células de Sertoli, que protegem e nutrem os
espermatozóides em desenvolvimento. As células de Leydig
estão localizadas entre os túbulos seminíferos e secretam
testosterona e androsterona que estimulam os desenvolvimento
dos órgãos sexuais masculinos e caracteres sexuais
secundários (por exemplo crescimento da barba, massa
muscular, alteração da voz).
Um tumor do
testículo é causado por células que se dividem
descontroladamente. Estas células podem migrar para outras
zonas do corpo através da corrente sanguínea ou pela linfa.
A esta disseminação se dá o nome de metásteses, e assim
podem se originar metáteses nos gânglios linfáticos (por ex.
no abdómen) ou noutros órgãos (por ex. pulmões).
Apesar de serem
os tumores mais frequentes dos homens entre os 15 e 34 anos,
são raros comparados com outros tipos de cancro. Os tumores
do testículo representam cerca de 2% dos cancros no homem, e
é o cancro mais curável com mais de 95% de taxa de cura após
tratamento.
Tipos
A maioria dos
tumores do testículo (95%) origina-se em células imaturas
(células germinativas) que dão origem aos espermatozóides,
sendo assim os tumores de células germinativas (TCG). Há
dois tipos: Seminomas e Não-seminomas. Um terceiro tipo, os
tumores do estroma, originam-se nos tecidos de suporte do
testículo.
Cerca de 40% dos
TCG são Seminomas, que podem ser típicos (a maioria) ou
espermatocíticos (a minoria). Os primeiros ocorrem
geralmente num só testículo causando aumento de volume ou
então uma massa indolor no testículo. Os segundos crescem
lentamente, não metastizam e ocorrem por volta dos 65 anos.
Sessenta por
centos dos TCG são Não-seminomas e desenvolvem-se em homens
mais jovens (entre os 15 e 35). A maioria contém células de
pelo menos 2 subtipos: coriocarcinoma, carcinoma
embrionário, teratoma ou carcinoma do saco vitelino.
Mais raros são
os tumores dos tecidos de suporte nomeadamente os tumores de
células de Sertoli e os tumores de células de Leydig.
Factores de
risco e causas
As causas dos
tumores de testículos ainda permanecem desconhecidas. Os
homens com maior risco são os que nascem com um testículo
não-descido (criptorquidia), ou seja que permanece no
abdómen em vez de descer para o escroto. Rapazes com esta
alteração têm um risco aumentado de desenvolver um cancro do
testículo se não tratados até aos 11 anos. Outros factores
de risco incluem: idade jovem, raça caucasiana, antecedentes
familiares, problemas de fertilidade. Uma vasectomia ou
traumatismo testicular não originam tumores do testículo.
Sinais e
sintomas
Os tumores do
testículo nem sempre produzem sintomas. O sinal mais comum é
o aumento de volume testicular ou a presença de uma massa
palpável e geralmente indolor num ou nos dois testículos.
Outros sintomas incluem a sensação de peso, moinha ou
desconforto no escroto, região inguinal ou abdómen, sensação
de mal-estar e cansaço.
Alguns tipos de
tumores (por ex. coriocarcinoma, tumor de células de Leydig,
tumor de células de Sertoli) produzem altos níveis de
hormonas como a B-HCG, estrogénios, testosterona, que podem
causar respectivamente aumento da sensibilidade mamária e
aumento da glândula mamária chamado ginecomastia, perda de
desejo sexual (libido), e aparecimento precoce de pelos no
corpo e na face e interrupção do crescimento nos rapazes.
Os tumores do
testículo metastizados podem originar dores ósseas, sensação
de falta de ar (dispneia), dores torácicas, e tosse.
Estes sintomas
não significam que se tenha um tumor do testículo mas se
estiver preocupado deve consultar o seu médico.
Diagnóstico
A maioria dos
tumores testiculares é descoberta ou pelo próprio doente
(por acaso ou aquando de um auto-exame para pesquisar
massas) ou então pelo médico aquando do exame objectivo duma
consulta.
O diagnóstico
implica uma história clínica para apurar factores de risco,
desenvolvimento das queixas etc., o exame objectivo para
avaliar o escroto e eventuais gânglios linfáticos e exames
complementares de diagnóstico, nomeadamente ecografia
escrotal e análises sanguíneas (com determinação de AFP,
B-HCG e LDH).
A única hipótese
de se obter um diagnóstico definitivo de um tumor do
testículo é através de uma biopsia, que no caso testículo
consiste na remoção do testículo afectado (orquidectomia
radical), ao contrário de outros órgãos em que é removida
uma amostra de tecido. Em casos seleccionados poderá ser
feita uma verdadeira biopsia, mas deverá ser discutido
previamente dados os riscos implicados. A remoção de um
testículo não afecta a fertilidade assim como a potência
sexual (na premissa que o outro seja saudável) e em muitos
casos será o tratamento definitivo do tumor do testículo.
A extensão da
doença no organismo, ou seja o estadiamento, é determinada
pela realização de outros exames complementares de
diagnóstico nomeadamente Rx de Tórax, T.A.C. de abdómen e
quando necessário T.A.C torácico ou mesmo Ressonância
Magnética Nuclear (R.M.N.)
Assim a doença
pode-se encontrar nos seguintes estádios:
• Estádio 1 – o
cancro encontra-se limitado ao testículo.
• Estádio 2 – o cancro estendeu-se aos gânglios linfáticos
no abdómen
• Estádio 3 - o cancro estendeu-se aos gânglios linfáticos
no tórax
• Estádio 4 - o cancro estendeu-se aos outros órgãos
Tratamento
As opções de
tratamento dependem de vários factores, incluindo o tipo de
tumor e seu estádio, o estado geral do doente e a vontade do
mesmo. A cirurgia pode ser combinada com a radioterapia ou
com quimioterapia.
Cirurgia
A cirurgia de
remoção do testículo (orquidectomia radical) constitui o
tratamento primário e por vezes único para praticamente
todos os tipos e estádios de tumor do testículo. Para isso,
o cirurgião realiza sob anestesia, através de uma incisão na
virilha (região inguinal) a remoção do testículo e do cordão
espermático. Poderá ser colocado ou não uma prótese
testicular no mesmo procedimento.
Caso haja
disseminação do cancro para os gânglios linfáticos poderá
ser realizada (no mesmo tempo operatório ou então noutro
posterior) uma cirurgia de remoção dos mesmos (linfadenectomia
retroperitoneal) através de uma grande incisão no abdómen.
Esta cirurgia apresenta entre outras complicações (apesar de
todos os cuidados tomados pela equipa cirúrgica), a
dificuldade em ejacular (ejaculação retrógrada) mas que não
afecta a potência sexual.
Após a cirurgia
o doente é seguido em consulta, sendo visto a cada 3-4 meses
durante os primeiros anos e depois anualmente. Nesta altura
realiza exames complementares de diagnóstico (análises
sanguíneas, TAC, e outros) para determinar a cura ou
recidiva da doença. Consoante a evolução o médico poderá
sugerir tratamentos adicionais.
Radioterapia
A radioterapia
usa raios X de alta energia para destruir células
cancerosas. No caso dos seminomas é administrado
radioterapia após a orquidectomia radical (terapia
adjuvante) para destruir células que tenham metastizado para
os gânglios linfáticos. A radioterapia também é utilizada
nalguns doentes que tenham tumores testiculares do tipo
não-seminoma, contudo a dose de radiação fornecida é mais
baixa na primeira. Efeitos secundários da radioterapia
incluem náuseas, diarreia, fadiga, irritação da pele da zona
aplicada e infertilidade. Contudo algumas medidas
preventivas podem minorar ou mesmo evitar esta complicação.
Quimioterapia
A quimioterapia
usa fármacos para destruir células cancerígenas que tenham
metastizado, podendo ser administrada antes da cirurgia
(quimioterapia neo-adjuvante) para fazer encolher uma massa
tumoral, ou após (quimioterapia adjuvante) para destruir
células que tenham permanecido depois da cirurgia. Estes
fármacos podem ser administrados por via endovenosa (num
soro), por via oral (comprimidos) ou injectado no músculo.
Podem ser usados
isoladamente, mas geralmente em combinação. Exemplos de
fármacos: Cisplatino, Etoposido, Bleomicina, Ifosfamida,
Paclitaxel, e Vinblastina.
Os efeitos
secundários dependem de cada fármaco usado, mas em geral
incluem fadiga, náuseas, queda de cabelo, infertilidade e
risco aumentado para contrair infecções. Contudo são
empregues outros medicamentos e medidas para minorar estes
efeitos secundários.
Prognóstico
O prognóstico
depende do estádio da doença na altura do diagnóstico, porem
mais de 95% dos casos são tratados com sucesso.
Publicado em Abril 2010
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